A diferenciação ou melhor, a estruturação do psiquismo humano depende a priori de como se dá a elaboração do modelo dinâmico descrito por Freud (id, ego e superego).
Portanto, a depender de como estas instâncias se relacionam entre si interagindo e influenciando-se ativamente, teremos em um indivíduo a estrutura neurótica, psicótica ou perversa.
O relacionamento das instâncias psicodinâmicas se dá através de conflitos interpsíquicos, (entre id, ego e superego), e ainda intrapsíquicos, ( conflitos que ocorrem dentro da instância).
Assim, o ego tem papel fundamental no balanceamento ou não destes conflitos relacionais, pois enquanto instância mediadora, sofre todas as pressões tanto do id (princípio do prazer), quanto do superego, (princípio da lei, ou realidade). Lembrando que, como no caso da construção de um prédio, onde o arcabouço estrutural, uma vez elaborado não poderá ser alterado, tornando-se fixo, assim o é a estrutura psíquica humana. Uma vez estabelecida a estrutura, esta será base sobre a qual o indivíduo funcionará no mundo.
Estrutura neurótica: Resulta do conflito entre ego e id, onde o ego decide por atender as demandas do superego, negando os apelos do id, colocando o sob a égide da realidade, recalcando suas demandas, enviando seus conteúdos inconsciente.
O ego recalca os conteúdos do princípio do prazer e se coloca à disposição do superego, introjetando a lei e o outro. O neurótico “é” o outro.
Seu grande conflito vivencial se dá quando do retorno do recalcado, que se dá quando conteúdos mal recalcados retornam de forma diversa, como sintomas.
Estrutura psicótica: Na psicose, o conflito se dá entre o ego e o superego. Para atender às
demandas do id, o ego se distancia da realidade e das demandas do superego,
criando uma realidade paralela, um mundo intrapsíquico todo voltado para o id. O ego rejeita a representação da realidade e
ao mesmo tempo o seu afeto e se conduz como se a representação nunca tivesse
chegado ao ego. O sujeito passa a viver nesta dinâmica. Temos aí o mecanismo de
defesa da psicose: forclusão, pois o sujeito não simboliza o que deveria ser
simbolizado, (a castração).
Estrutura perversa: Aqui, o ego coloca-se à disposição do id e da recusa de quaisquer conteúdos advindos da realidade (superego). Contudo, esta recusa das demandas do superego não são recalcadas como na neurose, nem rejeitadas como na psicose, antes são invertidas e manejadas tornando-as aceitáveis e prazerosas para este ego perverso. Os conteúdos da realidade, (da lei), são pervertidos ou seja, são subvertidos em seus princípios fundamentais. A característica principal deste ego é ser sistônico. O superego é praticamente inexistente, sem qualquer expressividade nesta estrutura, fazendo do ego (narcisista), o soberano e não há nenhum mecanismo de recalcamento.
Se a psicose enquanto estrutura psíquica é caracterizada pelo descompromisso como a realidade, assim o é enquanto patologia também. Nas psicoses, o sujeito cria para si um mundo particular, com conteúdo delirante também de cunho particular. É o sujeito que o cria, seu ego está a serviço do id, tudo é possível. Assim sendo, a depender da vontade do sujeito, em seu “universo” paralelo, poderá ser um super-herói, um Deus, e infinitas possibilidades mais. Quanto maior for o afastamento da realidade, maior os danos ao ego, assim sendo, até o total esfacelamento desta instância e a total alienação do eu.
Então pessoal, esse foi um resumo bem básico das diferenças entre as estruturas psíquicas, sob a perspectiva freudiana. Espero que tenha ajudado no entendimento desse assunto tão instigante, desafiador e complexo para tantas pessoas.
Minha fonte neste post foi o livro Fundamentos Psicanalíticos, de David Zimmerman.
Gratidão pela leitura!
Até mais!
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