Essa frase de Lacan, soa uma ode ao maxismo, se não viesse de alguém tão pouco conservador como Jacques Lacan. Aliás ele era um sedutor de mentes, é como gosto de pensá-lo, e mais, era tido como subversivo em relação as ideias da psicanálise freudiana. Mas ao contrário do que diziam as más línguas, Lacan afirmava-se o maior dos freudianos.
Que ele atualizou a psicanálise com suas formúlas, teoria sobre a linguagem e frases cabulosas, não há dúvidas. Tanto que esta "A mulher não existe" fora uma das muitas causadoras de verdadeiro furor e o é ainda hoje, se lida ou dita fora de contexto.
Para iniciarmos nossa despretensiosa explicação, gostaria de deixar registrado que Lacan não era maxista, nem preconceituoso, ao contrário, sua mente encontrava-se à frente de seu tempo e dos paradigmas psicanalíticos sobretudo em relação à mulher.
Dito isto, o artigo definido A em maiúsculo dá conta de algo que é abrangente, como se apontasse para algo que é, um modo de conceituar. No entanto, são tantas as variabilidades quando se trata do ser feminino que fica impossível colocar-nos em um significado. Justamente por isso ele diz que "A Mulher não existe". Não existe uma mulher que dê conta de explicar as outras.
Uma mulher não é suficiente para exemplificar todas as outras, e justamente por isso, na visão lacaniana existem as mulheres, pois seria preciso analisar uma por uma, em suas especificidades, peculiaridades, resumindo, em tudo o que todas nós temos diferentes umas das outras.
É impossível dizer das mulheres como se diz dos homens. Você certamente já ouviu falar: Homem é tudo igual, então O Homem existe.
Mas certamente nunca ouviu: Mulher é tudo igual. Sendo assim, A mulher não existe e sim As mulheres ( pois são vários significantes com significados diferentes).
Complicado? Nem tanto, mas para entender é preciso ter a mente livre de preconceitos e pensamentos defensivos.
Lembro que a primeira vez que ouvi esta célebre frase, na faculdade, observei um desconforto imenso entre as alunas da classe da qual eu fazia parte. Era um borburinho que expressou toda a antipatia que surgira num abrir e fechar de olhos direcionada ao Grande Freudiano. Injustamente, é claro.
Eu que já havia iniciado meus estudos sobre Lacan, entendi perfeitamente, porém a maioria, mesmo após a elucidação magistral realizada por nossa mestra em Psicanálise, muitas colegas torciam o nariz toda vez que ouviam o nome Lacan.
Particularmente, gosto, mais que gosto, admiro imensamente suas idéias, seu humor ácido, sua habilidade de desvelar o inconsciente até mesmo nas pequenas nuances da linguagem.
Fica aqui minha sugestão para quem tem o hábito de não gostar antes de experimentar, que leia pelo menos um dos seminários de Lacan. Creia, você se surpreenderá. Certamente uma pulguinha será colocada atrás de sua orelha!
Hoje ficamos por aqui, agradeço sua leitura e espero poder encontrarmo-nos novamente em breve!
Me siga no Instagram: @silcostapsi
Lá todo dia tem posts sobre autoestima, psicologia, psicanálise, motivação e etc..
Te espero lá!
Gratidão!
Nenhum comentário:
Postar um comentário